Gestores do Governo de Sergipe visitam Fábrica de Cimentos IRO Industrial em Socorro

Empresa do grupo Polimix está mobilizada para promover a revitalização do parque industrial, que está desativado há sete anos

Gerar empregos e promover o desenvolvimento de Sergipe é um dos grandes objetivos do Governo do Estado. Por isso, o secretário de Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), Valmor Barbosa, acompanhado do superintendente-executivo da pasta, Marcelo Menezes, visitaram, na manhã desta sexta-feira, 20, a fábrica de cimento da IRO Indústria de Reciclagem e Comércio de Materiais de Construção Ltda, localizada em Nossa Senhora do Socorro. O objetivo da visita foi verificar os preparativos para o início dos trabalhos de revitalização do complexo industrial, que se encontra totalmente paralisado há mais de sete anos.

A IRO Industrial se comprometeu em promover a geração de 250 empregos diretos e outros 1.250 indiretos, assim que iniciar as operações, além dos empregos que serão gerados nos serviços de revitalização do parque industrial. Será necessário investir o montante de, pelo menos, R$ 500 milhões, que resultará numa capacidade instalada de produção de 800 mil toneladas de cimento por ano.

A planta, que pertenceu ao Grupo João Santos e operava com a marca Nassau, foi arrematada em leilão em julho de 2022 pelo Grupo Polimix, que já opera em Sergipe uma unidade em Pacatuba com a marca Mizu. Já no mês de agosto, o Governo do Estado, por meio da Sedetec, firmou um Protocolo de Intenções com a IRO. Além de oferecer a possibilidade de obtenção de benefícios fiscais, desde que devidamente aprovado, o protocolo coloca o Estado como interlocutor, no sentido de buscar soluções, nos limites de sua competência, junto aos órgãos federais, estaduais e municipais. Este acordo visa a revitalização e entrada em operação do empreendimento no menor tempo possível.

“Esta é uma planta que poderá colocar Sergipe, novamente, entre os grandes produtores de cimento do país. É de total interesse do Estado que o grupo possa resolver todas as pendências e iniciar a recuperação o quanto antes, afinal, a perspectiva de geração de empregos diretos e indiretos beneficiará toda a região”, observa o secretário Valmor Barbosa.

Durante a visita, o diretor da empresa José Antero dos Santos, o advogado Ariosvaldo Barreto e o consultor Lenilson Cabral apresentaram aos dirigentes da Sedetec a equipe técnica que trabalha no planejamento dos serviços que serão necessários para colocar a fábrica em operação. Também foi apresentado um panorama das recuperações que estão previstas e que devem resultar em investimentos de R$ 300 milhões.

A comitiva pôde constatar in loco que a fábrica encontra-se em condições muito precárias de conservação, em decorrência do período de paralisação sem manutenção. Nesse sentido, a equipe multidisciplinar de engenheiros deverá empregar grandes esforços. Entre os pontos críticos estão às estruturas elétricas, metálicas e de concreto.

Além disso, os representantes da empresa manifestaram preocupação com rumores de que a Nassau, após o deferimento do seu pedido de recuperação judicial em 23 de dezembro último, entrou com uma ação na justiça de Pernambuco pedindo o cancelamento do leilão e a devolução dos 25% do valor da arrematação já pagos, estimados em aproximadamente R$ 79 milhões. Esse valor está depositado em conta judicial. O grupo Polimix detém a posse do complexo industrial, estando responsável pela vigilância e conservação do imóvel.

“Em razão de a arrematação ter ocorrido em julho do ano passado, com a devida assinatura do auto de arrematação pela IRO, pelo juiz auxiliar de Execuções e pelo leiloeiro, a arrematação deve ser considerada perfeita, acabada e irretratável, ainda que venham a ser julgados procedentes os embargos do executado que ainda tramitam no Tribunal da 20ª. Região”, informa José Antero dos Santos.

Ele completa que o grupo mantém plena confiança de que a Justiça do Trabalho de Sergipe atentará para o flagrante prejuízo que alguma medida em contrário possa representar, no que tange à segurança jurídica dos leilões judiciais. Desse modo, os trabalhos de planejamento deverão seguir em ritmo célere, para que os reparos sejam iniciados com brevidade.

TRT

Neste sentido, representantes do Grupo Polimix, bem como da Sedetec e da Procuradoria Geral do Estado, participaram nesta sexta, 20, de audiência no Tribunal Regional do Trabalho, a fim de apresentar todas as questões envolvidas para a retomada da fábrica.

“Temos acompanhado o esforço e a vontade de reativar esta fábrica por parte da IRO Industrial, e hoje tivemos a oportunidade de ver de perto que já existem trabalhadores aqui, planejando a reativação da unidade. Vamos repassar essa realidade que viemos constatar no local e reforçar a necessidade de a unidade ser reativada, para gerar empregos na região”, completa Marcelo Menezes.

Equipe atual

Alguns funcionários da antiga gestão foram convidados pelo grupo Polimix para fazerem parte do novo projeto. Foi o caso da analista financeira Sônia Lima, que trabalhou por 12 anos na antiga Itaguassu. “As minhas expectativas são as melhores, até porque eles dão oportunidade de crescimento dentro do grupo. Está sendo uma oportunidade única na minha vida, e espero atender os anseios da nova organização”, afirma.

Assim como Sônia, o coordenador de segurança do trabalho Cícero Pedro dos Santos é um dos remanescentes da antiga equipe que operava a fábrica. Ele relata que estava prestes a se aposentar quando surgiu a proposta do grupo para integrar o grupo de funcionários. “Trabalhei durante 28 anos como técnico de segurança do trabalho na Itaguassu. Achei esse novo projeto muito interessante, até porque é semelhante ao de outras unidades que o grupo possui. É uma iniciativaque vai dar certo, e já está dando oportunidade de emprego para muita gente”, salienta.

Contudo, as dívidas trabalhistas deixadas pela antiga gestão ainda são motivo de preocupação para os ex-funcionários e os recontratados, visto que eles também não receberam os salários atrasados de antes da desativação da Itaguassu. O processo, hoje, corre na justiça, e a expectativa de Cícero e dos antigos colegas de empresa é de que esse percalço seja resolvido o mais rápido possível.

“A gente precisa muito desse dinheiro, não só eu como os outros funcionários. Tenho ex-colegas de trabalho que estão com dificuldades para se inserir novamente no mercado pelos danos causados com a falta de pagamento dos salários atrasados”, lamenta Cícero dos Santos.

  • Fotos: Arthuro Paganini/Secom

Última atualização: 23 de fevereiro de 2023 11:49.

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