CEO da empresa, Roberto Noronha, ressaltou apoio do Governo na retomada da unidade sergipana 

O reinício da produção e venda de fertilizantes da Unigel Agro SE (antiga Fafen) vem sendo comemorado por todo o setor produtivo sergipano, que, entre outros aspectos, celebra a inserção e recolocação de trabalhadores no mercado. Em entrevista concedida ao Bom Dia Sergipe na terça-feira (11), o CEO da companhia, Roberto Noronha, confirmou a recontratação de grande parte dos antigos funcionários, bem como ressaltou o número atual de postos permanentes gerados pela empresa.

“Durante a fase de manutenção, chegamos a ter 1.500 funcionários. Hoje geramos 500 empregos, além da geração de impostos. Acho importante comentar que tudo isso só foi possível graças ao grande esforço do Governo de Sergipe na pessoa do governador Belivaldo Chagas; dos secretários da Fazenda, Marco Antônio Queiroz, e do Desenvolvimento Econômico, José Augusto Carvalho, assim como do superintendente-executivo da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), Marcelo Menezes. O governo estadual nos apoiou bastante e, com isso, conseguimos nos tornar, no Brasil, o único produtor de ureia, que é um insumo fundamental para a agricultura brasileira”, afirmou Roberto Noronha.

A incorporação da mão de obra mantida pelas fábricas de fertilizantes de Sergipe e da Bahia antes de suas hibernações, em 2019, foi mais uma das pautas abordadas ao longo da entrevista. “Conseguimos aproveitar boa parte das pessoas que tinham saído no fechamento. Demos prioridade àqueles que eram da região e que já tinham alguma experiência prévia. Conversamos com os prefeitos das cidades circunvizinhas, e todos pediram prioridade em relação às comunidades locais. A felicidade dessas comunidades, da sociedade e nossa de poder absorver essas pessoas foi imensa, e nos deixou muito comovidos”, enfatizou o CEO.

Atualmente, a unidade produz ureia e amônia, e tem capacidade de produção anual de 650 mil toneladas de ureia, 450 mil toneladas de amônia e 320 mil toneladas de sulfato de amônio. Para o governador Belivaldo Chagas a retomada da antiga Fafen é motivo de muita alegria. Ele lembra o compromisso do Governo de Sergipe para a continuidade das operações, em esforços que envolveram a gestão estadual e municipais, além de deputados da bancada sergipana. “A atuação da Unigel vem situando Sergipe como um expoente nacional da produção de fertilizantes. É uma grande satisfação ver a nossa fábrica em atividade novamente e saber das boas perspectivas que ela trará aos sergipanos. O Governo de Sergipe continuará colaborando para que essa trajetória proporcione cada vez mais bons resultados”, declarou.

Perspectivas

O representante da Unigel também salientou o papel da unidade sergipana no contexto de vulnerabilidade brasileira frente à importação de fertilizantes. Segundo Roberto Noronha, entre as quatro maiores potências do agronegócio no mundo, apenas o Brasil depende da produção externa de fertilizantes em mais de 70%. “Com a reativação das fábricas em Sergipe e na Bahia, estaremos produzindo entre 15% e 20% da demanda nacional, reduzindo nessa mesma proporção a dependência brasileira”, pontuou.

O CEO apresentou ainda as expectativas da companhia para o próximo período. “Nossa visão é de que a gente consiga consolidar a operação das unidades de Sergipe e da Bahia. Estamos falando aqui de quase 1,2 milhão de toneladas de ureia por ano, além de quase 700 mil toneladas, por ano, de sulfato de amônio e mais quase um milhão de toneladas de amônia. São volumes grandes, importantes para o país. Queremos seguir crescendo com esse negócio, sempre em parceria com nossos clientes, com um produto disponível e competitivo”, finalizou.

*Fotos: Arthuro Paganini/Governo de Sergipe

Na manhã desta terça-feira (04), representantes da VLI Logística,  responsável pela gestão do Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB), visitaram a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Ciência e Tecnologia (Sedetec) para apresentar os novos gestores. A partir de agora, assume o posto de gerente geral de Pólos no Nordeste, o administrador André Quirino, e como gerente do TMIB, o engenheiro Rodmilton Oliveira. Os novos gestores foram apresentados por, Elias Rezende, relações institucionais da VLI, e recepcionados pelos secretário José Augusto Carvalho,  pelo diretor-presidente da Codise, José Matos, e pelo superintendente executivo da Sedetec, Marcelo Menezes.

Durante o encontro, os representantes do Governo do Estado deram boas vindas aos novos membros da empresa em Sergipe e reforçaram a importância de firmar novas parcerias para o aumento das operações do Porto de Sergipe, além disso, se colocaram à disposição mais uma vez, para promover o diálogo entre potenciais parceiros e a empresa de logística. 

As novas operações que estão chegando ao TMIB também foram pauta da reunião, com ênfase para o início de importações através de containers, na forma de DTA, com o propósito de criar volume para que se tenha navios operando diretamente no terminal de Sergipe. “Temos perspectivas de grandes investimentos nos próximos anos em Sergipe, principalmente com o início das operações em águas profundas da Petrobras e da ExxonMobil, que deve acontecer em breve. Por isso, temos buscado nos movimentar para garantir que a logística possa ocorrer através do TMIB”, informou o secretário José Augusto Carvalho. 

Os novos diretores informaram que já tinham conhecimento de alguns pontos destacados pelos representantes do Estado e que chegam para contribuir ainda mais com o desenvolvimento do TMIB e da economia em Sergipe. “Queremos somar e colaborar para que o TMIB siga a crescente que tem tido, sempre colaborando para o desenvolvimento do Estado de Sergipe”, afirmou André Quirino.

Por fim, a VLI informou que iniciará no mês de junho uma dragagem na área portuária com o propósito de recuperar o calado do projeto, facilitando as operações com embarcações um pouco maiores.

Reunião contou com a presença de ex-ministros do Ministério da Agricultura e técnicos da área.

O potencial de Sergipe no mercado brasileiro de fertilizantes foi um dos temas abordados em reunião do Grupo Técnico Interministerial para desenvolvimento do Plano Nacional de Fertilizantes, ocorrida na tarde desta quarta-feira (28). Representando o Governo de Sergipe, o superintendente executivo da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec), Marcelo Menezes, apresentou as contribuições do estado para a construção da política nacional, enfatizando aspectos técnicos e econômicos.

Liderando o grupo de trabalho, o titular da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE) do Governo Federal, Almirante Flávio Rocha, destacou a necessidade de ações integradas na busca pela redução da dependência brasileira em relação ao mercado externo para fornecimento de fertilizantes. “Estamos lado a lado com os diversos ministérios e instituições nesta importante fase, que é o diagnóstico de um tema desafiador. É momento de ouvir os agentes externos que estão no front do agronegócio para que possamos construir o Plano Nacional de Fertilizantes”, pontuou.

Durante sua explanação, o superintendente da Sedetec enfatizou a existência de um cenário promissor em Sergipe para os fertilizantes, a começar por sua localização geográfica estratégica, pela existência de reservas expressivas de potássio e pelas medidas estaduais de defesa dos interesses desse segmento industrial. 

Entre as ações do Governo do Estado, foi salientada a política de incentivo ao consumo do gás natural, insumo basilar para a produção de fertilizantes nitrogenados. Nesse sentido, foram mencionadas iniciativas como a redução e isenção do ICMS do gás natural para grandes consumidores, e as revisões regulatórias que permitiram a criação da figura do consumidor livre, tendo a Unigel Agro SE se tornado a primeira indústria a configurar tal status no estado. O grupo é responsável pelas recém retomadas atividades da antiga Fafen/SE, única fábrica produtora de amônia e ureia em funcionamento no Brasil.

“Acreditamos que o gás deverá ser o caminho de viabilização da produção. Por isso, precisamos ter um gás competitivo, enfrentar os diversos tributos e estimular a competição entre supridores”, afirmou Marcelo Menezes, ressaltando as perspectivas próximas de exploração de gás natural no litoral sergipano, por meio da Petrobras e do consórcio Enauta/Murphy Oil/ExxonMobil. Foram citadas, ainda, as expectativas sobre a interligação da malha de transporte ao terminal GNL da Celse, facilitando o escoamento do volume de gás disponível no estado.

Integrando a participação do Governo de Sergipe, o consultor Alan Hiltner (Mastersenso) apresentou aspectos técnicos relacionados à construção do Pólo de Fertilizantes de Sergipe. “Propusemos a constituição de um pólo para misturadores, fabricantes de aditivos e outras empresas, tendo um fundo de investimento subsidiado em project-finance. Com isso, devemos minimizar os riscos e viabilizar investimentos, ampliando condições de ofertas para termos fertilizantes competitivos”, explicou.

Como parceiro do Governo do Estado e do Fórum Sergipano de Petróleo e Gás (FSP&G) na construção de um plano tributário do setor em Sergipe, o escritório Machado Meyer, representado pelo consultor Diogo Teixeira, também participou da explanação. “Em uma planta de fertilizantes, a carga tributária do gás natural é um fator decisivo para a viabilidade econômica de um investimento. É neste sentido que estamos trabalhando na construção de um diagnóstico para o plano tributário de Sergipe, a fim de articular novas dinâmicas no setor de petróleo e gás”, frisou.

Lideranças

A reunião contou com a presença de lideranças e agentes técnicos de diferentes entidades, a exemplo de três antigos titulares do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). “Temos que fazer todos os esforços para encarar o problema da dependência brasileira no ramo de fertilizantes. Devemos buscar saídas por meio da biotecnologia e da irrigação, no sentido de oferecer produtos de melhor qualidade a preços competitivos”, afirmou o ex-ministro Alysson Paolinelli. 

Reinhold Stephanes, responsável pela pasta do MAPA entre 2007 e 2010, sublinhou a relevância da retomada dos estudos iniciados à época em que era ministro. “Saber que este grupo de trabalho está recuperando nossas análises é motivo de grande satisfação, uma vez que estamos nos tornando grandes produtores mundiais, e o setor de fertilizantes é fundamental nessa posição”, pontuou. No mesmo sentido, o ex-ministro Roberto Rodrigues trouxe à tona a importância estratégica do debate. “Os fertilizantes são um tema de segurança nacional, do qual depende nossa iniciativa no agronegócio”, concluiu.

Grupo possui duas fábricas em Sergipe, uma em Salgado e outra em Nossa Senhora Aparecida

Na manhã desta sexta-feira (23), o secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Ciência e Tecnologia, José Augusto Carvalho, e o presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Codise), José Matos, receberam o gerente industrial da fábrica de calçados West Coast, Civaldo Fraga, para tratar sobre as atividades das indústrias do grupo, instaladas em Salgado e em Nossa Senhora Aparecida. A matriz do grupo está instalada em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. 

Durante o encontro, o gerente industrial informou aos gestores que a fábrica sofreu uma queda na produção devido à pandemia da Covid-19, mas sem paralisar as atividades. Atualmente, 301 colaboradores trabalham na unidade de Salgado e 243 na unidade de Nossa Senhora Aparecida, em regime de escala e apenas durante um turno. 

As indústrias West Coast em Sergipe estão em recuperação judicial desde 2019 e, com a chegada da pandemia, a produção diminuiu consideravelmente. O fluxo de calçados produzido era de 6.000 pares por dia, passando a ser de 1.500 por dia devido a pandemia. Porém, mesmo com esses dados, Civaldo ressaltou que a direção da fábrica está bastante esperançosa de que em breve voltará à normalidade, inclusive com retomada da produção usual.

Os gestores da Sedetec e da Codise receberam com otimismo as informações, já deixando pré-agendada uma visita às fábricas, que deverá ocorrer no dia 07 de maio. “Sabemos das dificuldades pelas quais algumas indústrias têm passado. Por isso, procuramos, ao longo de todo esse período de pandemia, acompanhar de perto o andamento dos trabalhos e dar toda a assistência que as empresas precisam”, explicou José Augusto Carvalho. 

“A West Coast é uma indústria importante, que gera centenas de empregos no interior do Estado, e que conta com incentivos do Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI). Queremos que estes empregos se mantenham e, por isso, temos acompanhado de perto toda a situação da empresa”, informou José Matos, que, durante a reunião, esteve acompanhado do diretor financeiro da Codise, Gildo Xavier.

Os impactos da aprovação da Nova Lei do Gás (Lei 14.134/2021) no Brasil e, em especial, no contexto sergipano, foi tema de uma série de debates entre especialistas no rádio, que abordaram a posição de destaque de Sergipe no cenário do gás natural e as perspectivas que a nova Lei pode trazer em relação ao desenvolvimento do Estado de Sergipe. As entrevistas foram conduzidas pelos jornalistas André Barros e Priscila Andrade, entre os dias 05 e 09 de abril, na Rio FM Aracaju. 

Confira abaixo as entrevistas na íntegra.

Paulo Pedrosa
Presidente da ABRACE – Associação dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres

Symone Araújo
Diretora da ANP

José Mauro Ferreira
Secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia

Roberto Ardengy
Diretor executivo de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade da Petrobras

Luiz Costamilan
Secretário executivo de Gás Natural do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP)

Série de entrevistas recebeu cinco autoridades de renome nacional da área do gás, que explanaram sobre a importância da Lei para o desenvolvimento de Sergipe

Os impactos da aprovação da Nova Lei do Gás (Lei 14.134/2021), no Brasil e, em especial, no contexto sergipano, estão no centro das discussões entre diversos agentes desta cadeia produtiva. Sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro na última quinta-feira (08), o novo marco legal foi tema de uma série de debates no rádio, entre especialistas ao longo desta semana, que abordaram a posição de destaque de Sergipe no cenário do gás natural e as perspectivas que a nova Lei pode trazer em relação ao desenvolvimento do Estado. As entrevistas foram conduzidas pelos jornalistas André Barros e Priscila Andrade, entre os dias 05 e 09 de abril, na Rio FM Aracaju. 

A lista de entrevistados incluiu o presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e Consumidores Livres (Abrace), Paulo Pedrosa; a diretora da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), Symone Araújo,  e o secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), José Mauro Ferreira. O diretor executivo de Relacionamento Institucional e Sustentabilidade da Petrobras, Roberto Ardenghy, e o secretário executivo de Gás Natural do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Luiz Carlos Costamilan, também participaram da ação.

Todos os entrevistados estiveram de acordo em relação aos benefícios trazidos pela lei, que podem ser sentidos de forma direta pelo usuário. “A principal ideia da nova Lei do Gás é que teremos um mercado muito mais concorrencial e com maior pluralidade de agentes. Essa competição leva a preços menores do gás natural utilizado nas indústrias, nas residências e para fins veiculares. O gás mais barato faz com que o produto das indústrias seja mais barato também, trazendo benefícios para o consumidor brasileiro”, relacionou José Mauro Ferreira.

“A nova Lei do Gás, com o avanço nos estados, pode gerar quatro milhões de empregos no Brasil. Esses empregos representam pessoas comprando e pagando imposto, um recurso que também chega ao governo para ser investido em escolas, para pagar professores, para melhorar hospitais. É um ciclo muito virtuoso que vem para a economia a partir do gás e pelo caminho do mercado e da atração de investimentos”, acrescentou Paulo Pedrosa.

O papel preponderante de Sergipe em relação às diretrizes do novo marco foi mais um ponto de confluência nas entrevistas. “O texto legal traz segurança jurídica e previsibilidade, que são elementos essenciais à atração de investimentos, em especial a um estado como Sergipe, que se apresenta com promissoras alternativas para a produção nacional, importação e oferta de gás natural. Sergipe vem olhando o que está acontecendo em nível federal e tem feito uma série de mudanças relevantes na sua regulação, em prol da harmonização”, afirmou Symone Araújo.

Investimentos

Os convidados pontuaram ainda a existência de novos empreendimentos e a ampliação de outros já existentes no estado, como resultado da nova lei. Entre os exemplos, o recente anúncio sobre a nova linha de produção da Cerâmica Serra Azul, em Nossa Senhora do Socorro, e a expansão da capacidade produtiva da Indústria Vidreira do Nordeste (IVN), em Estância. A retomada das atividades da fábrica de fertilizantes nitrogenados sob condução do grupo Unigel, ocorrida no início de abril, foi mais um dos destaques. 

As perspectivas de investimentos para o futuro próximo foram outro ponto abordado durante a série de entrevistas. “Colocamos em nosso planejamento estratégico, que fazemos a cada cinco anos, investimentos na faixa de US$ 2 bilhões entre 2021 e 2025 para desenvolver o projeto Sergipe Águas Profundas. As perspectivas são muito positivas, tanto que é um dos poucos projetos que a Petrobras está realizando fora do pré-sal. É um projeto de alta prioridade, sobretudo no contexto da abertura de mercado e aprovação da Lei do Gás, que traz um ambiente muito mais favorável a todos os agentes econômicos”, enfatizou Roberto Ardenghy. 

“A previsão da produção de gás natural em Sergipe é de 20 milhões de metros cúbicos em águas ultraprofundas, na bacia Sergipe-Alagoas. Isso significa que o estado vai passar a ser responsável por cerca de 10% da produção nacional bruta de gás, sendo que hoje ocupa menos de 1,5% dessa produção. E esse volume pode ser ainda maior, levando em conta os ativos operados pela Exxon Mobil em parceria com Enauta e Murphy Oil, que estão em fase exploratória. Eles têm a intenção de perfurar um poço exploratório ainda em 2021, com previsão de investimento de US$ 40 milhões em 2021 e US$ 105 milhões em 2022”, complementou a diretora da ANP, Symone Araújo.

Atuação sergipana

A relevância das ações de personagens sergipanos em torno da Nova Lei do Gás foi mais um ponto comum entre os especialistas, que ressaltaram a atuação do deputado Laércio Oliveira, como relator da proposta na Câmara Federal, bem como a liderança local do Governo de Sergipe, por meio do governador Belivaldo Chagas. Nesse sentido, a adoção de políticas estaduais de incentivo, a exemplo das medidas de diferimento do ICMS para indústrias de alto potencial consumidor de gás, foram consideradas muito positivas. A atuação do Fórum Sergipano de Petróleo e Gás ao redor da construção de um plano tributário para o gás natural também foi pontuada pelos convidados.

Outra ação do Governo do Estado lembrada durante as entrevistas, foi a aprovação do Regulamento dos Serviços Locais de Gás Canalizado, em alinhamento com a regulação preconizada pelo programa federal Novo Mercado de Gás. A partir da nova normativa, a Unigel tornou-se o primeiro consumidor livre de gás natural em Sergipe, em contrato celebrado com a Sergas. 

“O consumidor livre é a grande revolução quando falamos em abertura de mercado. No Brasil, temos cerca de três mil consumidores industriais. A gente sai então de uma realidade em que há um vendedor e 17 compradores de gás natural, para uma nova, onde há dezenas de produtores para centenas de compradores. Os consumidores livres é que vão, efetivamente, estabelecer essa nova realidade, onde cada consumidor vai dizer qual companhia é melhor de acordo com o preço, o prazo de pagamento e a flexibilidade”, defendeu Luiz Carlos Costamilan.

Ainda segundo os entrevistados, a aprovação da Nova Lei do Gás em consonância com as medidas estaduais deve servir de ponte para uma série de incrementos no contexto industrial sergipano, a exemplo da extensão da malha de transporte de gás natural. “Com o modelo de entrada e saída, a Transportadora Associada de Gás (TAG) já sinaliza a possibilidade de ampliação da malha, desde o terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) do complexo Porto de Sergipe, por meio de chamada pública. É mais uma entre a série de iniciativas importantes, e Sergipe está na vanguarda”, pontuou Symone Araújo.

Encontro ocorreu de forma virtual e reuniu dezenas de empresas sergipanas

As potencialidades e possibilidades do Porto de Sergipe como vetor de desenvolvimento do Estado foram tema de reunião realizada na manhã desta quarta-feira (07), entre representantes do Governo de Sergipe, a empresa administradora do Porto – VLI Logística, dirigentes da Fecomércio e empresários. A reunião, que foi proposta pela diretoria da Fecomércio, contou com uma apresentação por parte da empresa que administra o Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB), sobre as especificidades do Porto, bem como as operações existentes e as que estão prospectadas para o futuro. 

O diretor de relacionamento institucional da VLI, Elias Rezende, e o gerente comercial, Ítalo Leão, representaram a empresa, e afirmaram que de 2018 para cá, o volume de movimentação de cargas subiu de 580 para 755 toneladas. Este movimento, segundo eles, foi consequência do trabalho que vem sendo construído junto ao Governo do Estado para fortalecer o Porto de Sergipe. “As Secretarias de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Fazenda e a VLI têm trabalhado arduamente para esse crescimento”, apontou Elias Rezende. 

Representando o Governo do Estado, estiveram os secretários de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedetec), José Augusto Carvalho, e da Fazenda (Sefaz), Marco Antônio Queiroz, além do presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Codise), José Matos, bem como assessores técnicos das pastas. “Ficamos muito satisfeitos com esta reunião promovida pela Fecomércio e nos colocamos à disposição, enquanto Governo, para promover encontros como estes, que só tendem a contribuir para o desenvolvimento das operações no TMIB”, afirmou José Augusto Carvalho.

Para o superintendente da Fecomércio, Maurício Gonçalves, a reunião foi mais um passo para estabelecer um diálogo produtivo entre os empresários sergipanos e a VLI, uma vez que é interesse de todos que as operações no Porto de Sergipe cresçam cada vez mais. “Temos muitas questões que precisam ser tratadas entre as empresas e os gestores do Porto, por isso, propusemos esta reunião e ficamos satisfeitos com o resultado, pois conseguimos já sanar algumas dúvidas e manter o canal de comunicação aberto com os gestores do terminal marítimo”, completou. 

Presenças

Entre os participantes estiveram representantes da Federação das Indústrias de Sergipe (FIES), Secretaria de Indústria e Comércio da Barra dos Coqueiros, e as empresas Unigel, Cencosud, Pisolar, Ferrocorte, Tok Cosméticos e Ambientec. Participaram também empresas dos ramos imobiliário, de informática, produtores de camarão e do agronegócio, representantes da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Socorro (ASSEDIS),  do Sindicato dos Revendedores de Combustíveis (Sindcomb) e da Associação das Empresas de Petróleo, Gás e Energia de Sergipe (Pense), entre outras.

Fábrica que antes ocupava a Fafen/SE foi arrendada e volta a produzir matéria-prima para fertilizantes 

A Unigel Agro SE (antiga Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados – Fafen) retomou a produção de ureia em Sergipe no último sábado (03), em fase de testes, estabelecendo um marco histórico para o Estado. A reativação acontece oito meses após a transmissão de posse da fábrica para a Proquigel e reinicia o ciclo interrompido em 2019, com a hibernação da unidade pela Petrobras. Desde então, o Governo de Sergipe vem empreendendo esforços na criação de condições estruturais e econômicas favoráveis para o desenvolvimento do projeto, em prol da geração de emprego e renda para a cadeia produtiva da região.

Ao longo da fase final de preparação para início da operação, mais de 1100 prestadores de serviços estiveram envolvidos nas atividades de manutenção da fábrica localizada no município de Laranjeiras. Com o início da operação, a expectativa é de que sejam oportunizados 350 empregos diretos e 400 indiretos, além daqueles gerados nas atividades afins, como as misturadoras de fertilizantes e transportadoras.

A fábrica possui capacidade instalada de produção de ureia de 1.800 toneladas por dia, sendo capaz de comercializar amônia, gás carbônico e sulfato de amônio, também usado como fertilizante. Junto com a fábrica da Bahia, também hibernada em 2019 e que está em processo de reativação pelo grupo Unigel, a previsão é de que a produção torne possível suprir 20% da demanda nacional dos fertilizantes nitrogenados.

“A retomada da nossa querida Fafen, hoje Unigel Agro, é também fruto de um esforço ativo e constante da nossa equipe. Nos orgulha e satisfaz muito saber que o trabalho do Governo contribuiu para a volta à vida de uma indústria que começou nos anos 80 e que marca não só a história de Sergipe, mas também a trajetória pessoal de milhares de trabalhadores”, afirma o governador Belivaldo Chagas.

Ações

Entre as ações do Governo de Sergipe que colaboraram para a retomada da produção, estão a viabilização da proposta da Proquigel, através do Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI), sob responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Codise). Através de decreto, o Governo também estabeleceu a isenção do ICMS incidente sobre o gás natural na produção de fertilizantes. 

O Governo garantiu ainda apoio junto à Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), Agência Reguladora de Serviços Públicos (Agrese), Petrobras, entre outras entidades, visando reduções de custo de insumos. O Estado também regulamentou as figuras do consumidor livre, autoimportador e autoprodutor de gás natural no final de 2019, com o objetivo de alinhamento da regulação estadual às diretrizes e premissas no Programa Novo Mercado do Gás.

Outro marco no processo de retomada da empresa foi a assinatura do contrato de movimentação do gás natural que está sendo usado na planta industrial, firmado entre a Sergas e a Unigel, em 28 de janeiro. Na  mesma data, a Unigel assinou contratos de transporte de gás com a TAG e de fornecimento de gás natural com a Petrobras.

Entrada em operação deve acontecer ainda em 2021

Sergipe acaba de receber mais uma ótima notícia no setor industrial: a Cerâmica Serra Azul,  instalada no município de Nossa Senhora do Socorro, implantará uma terceira linha de produção, com expectativa de entrada em operação no quarto trimestre de 2021. A confirmação é fruto das ações do Governo do Estado, que vem alinhando políticas regulatórias e tributárias a fim de robustecer e desenvolver a indústria sergipana, e tem relação direta com a recente aprovação da nova Lei do Gás (Projeto de Lei 4476/2020), na Câmara Federal, quem vem gerando boas expectativas ao setor industrial em todo o país.

A nova linha da Cerâmica Serra Azul, pertencente ao grupo Cerâmica Carmelo Fior, deve elevar a atual produção da fábrica de 2,1 para 3,1 milhões de metros quadrados de revestimento cerâmico por mês. A ampliação representa um investimento estimado em R$ 60 milhões de reais e deve somar cerca de 100 empregos diretos e indiretos, aos 240 já mantidos pela fábrica em Sergipe. Com a ampliação, a unidade sergipana deve se transformar na maior fábrica da empresa, detentora de outras três plantas industriais em São Paulo e Santa Catarina.

“Queremos continuar crescendo no estado, contribuindo com o crescimento do município e região e, principalmente, abastecer nossos clientes com maior agilidade e qualidade. Entre as nossas principais expectativas está o aumento das exportações, levando o nome de Sergipe aos mais diversos países”, afirma o diretor industrial da Cerâmica Carmelo Fior, Eduardo Roncoroni Fior.

Com a expansão, a empresa também prevê um aumento de 50% em relação à geração de impostos estaduais, a exemplo do  Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal (FEEF). Outra estimativa diz respeito ao consumo de energia elétrica e gás natural, que deve subir em 50%. Hoje, este consumo é da ordem de 2,50 MW por mês em energia e 1,78 milhões de metros cúbicos de gás mensais. Atualmente, o grupo Carmelo Fior está entre os seis maiores produtores de cerâmica do mundo. 

Esta é a segunda indústria que anuncia expansão dos negócios em Sergipe, graças à política fiscal que tem sido adotada pelo Estado, principalmente relacionada à redução do ICMS do gás natural para uso industrial, além de demais adequações regulatórias e tributárias que estão sendo implementadas pelo Governo do Estado. 

“Ficamos muito felizes em receber a notícia da expansão de mais uma indústria no nosso Estado. Há alguns meses, vimos a Indústria Vidreira do Nordeste (IVN) iniciando a operação da sua terceira linha e aumentando o número de empregos gerados, e, agora, vemos outra grande indústria seguindo esse caminho. A IVN e a Serra Azul já eram as duas maiores consumidoras de gás natural de Sergipe, mesmo antes das ampliações. Isso muito nos orgulha, pois percebemos que traçamos um caminho correto quando optamos pela redução do ICMS do gás para o setor industrial. Nossa pretensão é seguir fazendo tudo o que estiver ao nosso alcance para que a indústria sergipana continue crescendo e gerando empregos e renda para nossa população”, pontua o governador do Estado, Belivaldo Chagas.

Histórico

O diálogo para a entrada em operação da terceira linha de produção da Cerâmica Serra Azul vem evoluindo desde 2019, quando, em dezembro, foi assinado o protocolo de intenções junto ao Governo do Estado. Desde então, a gestão estadual vem avançando no fortalecimento do setor, com ações como a modernização regulatória no ramo do gás natural e a redução do ICMS deste insumo para uso industrial.

“Nossas tratativas com o Governo de Sergipe sempre foram positivas e o governador Belivaldo Chagas sempre nos apoiou, incentivou e contribuiu para desenvolvermos este grande projeto. Tivemos um atraso em decorrência da atual pandemia, mas iremos recuperar uma grande parte deste tempo. A redução do ICMS e a modernização regulatória são dois pontos que nos motivaram ainda mais a continuar investindo no estado. Acredito que estas ações fortalecem a indústria e a geração de emprego e renda, além de propiciar que sejamos mais competitivos para entregar nossos produtos nos diversos estados e países que atuamos”, pontua Eduardo Roncoroni Fior, que sublinha ainda a importância do Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI) para o impulsionamento de novas empresas no Estado e para o incremento do consumo.

O diretor da Carmelo Fior também ressalta a relevância estratégica da aprovação da nova Lei do Gás, fato impactante para a decisão do investimento para a entrada em operação da nova linha de produção. “Este marco regulatório do gás é de suma importância para nosso país, pois vai criar um ambiente mais competitivo em preços. Evidentemente, esta mudança também nos incentivou a investir mais no estado de Sergipe”, conclui.

Fotos: Marcos Rodrigues/Governo de Sergipe

Confira a entrevista com Eduardo Fior na íntegra:

– Desde dezembro de 2019, quando foi assinado o protocolo de intenções junto ao Governo do Estado, como evoluíram as tratativas e ações para que se pudesse chegar ao anúncio da entrada em operação da 3º linha de produção?

Nossas tratativas com o governo do estado sempre foram positivas, nosso Governador Belivaldo Chagas sempre nos apoiou, incentivou e contribuiu para desenvolvermos este grande projeto. Tivermos um atraso no projeto em decorrência da atual pandemia, mas iremos recuperar uma grande parte deste tempo e até o quarto trimestre teremos a linha em produção.

– Qual o valor investido neste novo projeto? 

O valor do investimento para esta ampliação é estimado em R$ 60 milhões de reais.

– Qual a importância da política estadual do gás com relação à redução do ICMS para o uso industrial e a modernização regulatória para a tomada de decisão de investimento em Sergipe?

São dois pontos muito importantes que nos motivaram ainda mais a continuar investindo no estado, fortalece a indústria, geração de empregos e renda para o município, a modernização regulatória nos propicia sermos mais competitivos para entregar nossos produtos nos diversos estados e países que atuamos.

– Quantos empregos a indústria mantém hoje e quantos novos serão gerados? 

Atualmente nossa empresa está empregando diretamente 240 funcionários e devemos gerar aproximadamente mais 100 empregos diretos e indiretos.

– Qual o volume de produção atual e qual é a previsão de aumento com a implantação da nova linha? 

Nossa produção está em 2.100.000 m²/mês e com a nova implantação deveremos produzir mais 1.000.000 m²/mês, totalizando 3.100.000 m²/mês somente nesta unidade, pois possuímos mais 02 fábricas em São Paulo e 01 em Santa Catarina, esta fábrica será a maior da empresa a partir deste aumento de produção. Como informação hoje estamos entre os 06 maiores produtores mundiais de cerâmica.

– Quais os valores previstos em termos de geração de impostos estaduais, a exemplo do ICMS e FEEF?

Estamos prevendo um aumento de 50% em nossa geração de impostos.

– Quais os números atuais em relação ao consumo de gás natural e energia, e qual o aumento previsto com a entrada em operação da 3ª linha? 

Nosso consumo de energia elétrica é de aproximadamente 2,50 MW/mês e o de gás 1.780.0000 m³/mês, com a ampliação a previsão é que estes dois insumos aumentem em 50% cada.

– De que maneira estes números se relacionam com as políticas de incentivo praticadas pelo Governo de Sergipe, como o PSDI?

O PSDI é quem impulsiona a implantação de novas empresas no Estado, o que acaba contribuindo para o incremento de consumo de outros produtos e serviços essenciais a produção.  

– O atual cenário do Novo Mercado do Gás, com a aprovação da nova Lei do Gás, teve influência sobre a abertura da nova linha de produção?

Este marco regulatório do gás é de suma importância para nosso país pois vai criar um ambiente mais competitivo em preços, evidentemente que esta mudança também nos incentivou a investir mais no estado de Sergipe.

– Quais as expectativas da empresa em relação a esta ampliação e quais os planos futuros para a indústria em Sergipe?

Temos as melhores expectativas possíveis, queremos continuar crescendo no estado, contribuindo com o crescimento do município e região e principalmente, abastecer nossos clientes com maior agilidade e qualidade, entre as nossas principais expectativas, está o aumento das exportações, levando o nome de Sergipe aos mais diversos países.

A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia (Sedetec) manifesta, por meio desta, seu profundo pesar pelo falecimento do diretor-técnico do Sebrae/SE, Emanoel Sobral.

Formado em Administração, Emanoel Sobral acumula mais de 20 anos de serviços prestados aos sergipanos junto ao Sebrae, deixando um legado de importantes contribuições ao ramo do empreendedorismo em Sergipe.

A Sedetec se solidariza aos familiares e amigos, em especial, esposa, filhos e netos.